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Homenagem para minha querida Cipó

Kátia Brito – Cipó, 08.07.2026

Ela é uma mulher linda,
já foi criança, bem pequenina,
nascida entre
borbulhante colorida na cor ferrugem à beira de uma correnteza cristalina, gigante,
foi crescendo entre cipoais
foi acolhendo em seus
dedos grandes,
os melhores anéis
dos genuínos indígenas aos cablocos afrodescendentes, que se espalharam por suas ribeiras,
obedecendo coronéis,
foi diversificando toda gente,

Ela virou mocinha, e se separou em terras irmãs.

Depois que um motor roncou, rasgando estrada,
ganhou praça, banhistas, ficou cobiçada ganhando um radium hotel,
as suas calçadas se enfeitavam em dias de Reisados e cavalgadas,
turistas a se banhar nas águas, em busca de cura para aliviar, barões e autoridades de outras capitais nos casinos a cartear

Ela se transformou
ganhou um arranha-céu,
de menina Vila virou a mocinha cidade mais visitada da região,
tantos casamentos prometidos e ela, quase sempre dizia não,

Até um pássaro de prata voar rasteiro e pousar entre suas matas,
Recebeu a visita de um Presidente e ficou mais vaidosa,
ficou mais bonita,
super conhecida e ainda mais enamorada, seus pretendentes buscavam lucro de sua maior riqueza.

Teve dias de glórias,
outros de dores e lutas sem sabores,
uns se declararam e lhes cumpriram promessas,
outros, apenas fingiram e deixaram
seu pensar mais cautelo,
mas seu coração sempre foi de mãe aguerrida,
mantendo-se forte, mesmo que aparente,

A sorte sempre lhe sorriu, a maior parte da vida,
foi polida pelos seus amantes,
crescendo e se desenvolvendo,
ou pelas gestões benditas
ou por sua gente arteira,
que não foge da lida,
tramando os nós das redes,
Em temporadas transitam por terras alheias,
levando e trazendo o que a arte lhes presenteia.

Ela está ficando mais madura, Isso ninguém pode negar,
seus cabelos, quase brancos,
sabedoria correndo em suas veias,
abre espaço para quem a ama,
e quer vê-la la, cada vez mais linda.
Sua energia não se curva ao tempo, nem se estagna ao estado senil da demência,
porque ela é tão vigorosa como àquela menina de 1730.

Os raios de sua vida
são como o sol para nossa gente,

Ela é forte e valente
somos gratos e confiantes,
nela, a fé é um caminho livre,
em cada filho, que amanhece em prece,
que sejam milhões de anos infinitos,
que vivam a paz e o prazer de celebrar
sua permanência todos os dias, do mirante a contemplar, a vista mais bela do por do sol,
às aguas a lhe banhar.

À minha querida menina/mulher/senhora, desejo que siga amada por toda vida,
Entrego- lhe de presente, meus humildes versos, símbolo de minha essência,
solo de nossa existência,
orgulho de ser cipoense,
sempre a te admirar.

Kátia Brito.
SSA, 05.07 2026

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